A Associação
de Turismo de Lisboa (ATL) juntou-se à Associação de Turismo do Porto
(ATP) no protesto contra o projeto de lei sobre a nova estrutura
regional de turismo que se encontra em fase de discussão parlamentar.
No epicentro da polémica, não está o facto de este
projeto de lei extinguir os pólos regionais de turismo, mas sim de ter
sofrido uma alteração à última hora relativamente ao documento que
Cecília Meireles, secretária de Estado do Turismo, tinha acordado com os
empresários turísticos.
"A ATP e a ATL estranham a radical alteração que este
diploma sofreu face à versão do anteprojeto de lei conhecido e
articulado com os agentes do sector, designadamente com a Confederação
do Turismo Português", pode ler-se no comunicado conjunto da ATL e da
ATL.
Governo altera diploma gerando "duplicação" de estruturas em Lisboa e Porto
As alterações ao projeto de lei do mapa regional do
turismo vieram dar poder de decisão aos elementos designados pelo
Governo nas novas entidades, remetendo os privados a um papel
consultivo. As mudanças atingiram sobretudo Lisboa e Porto, cuja
promoção tem sido assegurada por associações de direito privado.
Para a Associação de Turismo de Lisboa, o projeto de
lei depois de alterado só vem trazer "desperdício de dinheiros
públicos", obrigando à criação de uma entidade "exclusivamente
financiada pelo Estado" e em "duplicação" com o trabalho que a ATL faz
há 15 anos.
"No limite, vamos às mesmas feiras internacionais, com
dois stands a promover Lisboa, privados de um lado e públicos de outro",
adverte Mário Machado, presidente adjunto da ATL, frisando que esta
associação, com 640 sócios privados, "custa zero ao Estado".
Mário Machado questiona se o objetivo da proposta de
lei do Governo é deitar por terra todo o trabalho desenvolvido pela ATL
"e que tanto custou a fazer". Sublinha que há vários aspetos por
clarificar no documento após sofrer alterações. "O objetivo é acabar com
os 14 postos de turismo da ATL, que são auto sustentados, ou passar a
ter duas redes de postos de turismo em Lisboa?", interroga-se.
Tanto a Associação de Turismo de Lisboa como a
Associação de Turismo do Porto manifestam a intenção firme de se manter e
continuar a trabalhar na promoção dos destinos, mesmo só com dinheiro
dos privados e em duplicação com a estrutura a criar pelo Estado.
Ambas as associações estão a reunir com grupos
parlamentares no objetivo de sensibilizar os deputados para a
especificidade dos destinos Lisboa e Porto em termos de promoção.
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