Apesar de prejuízo de 112 milhões de euros, uma subida de 14,6 por cento em relação ao mesmo período de 2011, o Governo Portugues não vende a por enquanto
O Governo Portugues acaba de anunciar que decidiu recusar a proposta de compra do grupo Synergy para a TAP. A decisão foi tomada em Conselho de Ministros, esta quinta-feira. O governo recuou pelo facto de Gérman Efromovich, único candidato à compra da transportadora aérea nacional, não ter apresentado as garantias bancárias exigidas.
Este processo de privatização acaba com a não aceitação da proposta única da Synergy. O governo vai reavaliar a estratégia e o momento oportuno para retomar a intenção de privatizar a TAP em condições e calendário a definir, afirmou a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luis Albuquerque.
Em conferência da imprensa, Maria Luís Albuquerque explicou ainda que em cima da mesa estava um encaixe líquido para o Estado de 35 milhões de euros e a recapitalização da empresa superior a 300 milhões, em duas fases, a que acrescia a assunção de um passivo na ordem dos 1,5 mil milhões de euros.
“A proposta era interessante mas não foi possível assegurar o sucesso da operação”, explicou a secretária de Estado do Tesouro Maria Luís Albuquerque, salientando que “a TAP continua a desenvolver a sua actividade com regularidade”.
“Temos que criar condições de sustentabilidade para que a empresa possa ter o contributo que tem hoje e que no futuro seja ainda mais positivo”, acrescentou o secretário de Estado dos Transportes.
O governo reafirmou a intenção do governo na privatização quando estiver redefinida a estratégia da empresa.
No entanto, Gérman Efromovich dá o negócio como “morto”, apurou o Económico, até porque a decisão do Executivo deverá obrigar ao lançamento de um novo concurso de privatização.
Recorde-se que, ainda esta semana, o empresário acreditava que ia ser dono da TAP. Em entrevista dada à TVI, na quarta-feira, recusou-se a dizer se tinha mantido negociações com o governo, nem quis adiantar qual o último valor que ofereceu pela empresa, dizendo que seria o Executivo português a prestar esse tipo de declarações. Mas salientou que se o negócio não fosse fiável, não faria qualquer tipo de proposta.
O governo, através dos secretários de Estado do Tesouro e dos Transportes, agradeceu ao investidor colombiano a dedicação à proposta apresentada para a compra da TAP. “Manifestamos gratidão a Efromovich pelo tempo que dedicou a uma proposta que tinha total alinhamento estratégico com os objectivos do governo”, sublinhou o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, no final do Conselho de Ministros.
É de referir que, este negócio tem ganho nos últimos dias maior polémica, já que notícias avançam o envolvimento do ministro Miguel Relvas nesta operação. Um facto negado pelo próprio Pedro Passos Coelho, mas que levou o PS a pedir a suspensão desta privatização, considerando que o dossier não era transparente.
Também esta semana, o Tribunal de Contas tinha defendido cautelas redobradas nesta operação de forma a salvaguardar a soberania nacional.
Governo pretende reabrir processo de privatização até 2014
O Governo pretende relançar o processo de privatização da TAP até 2014 para cumprir o memorando de entendimento com a ‘troika’, ressalvando que o processo vai “começar do zero” e que “as atuais circunstâncias são difíceis”.
“Vamos fazer os possíveis para que a redefinição da estratégia [da privatização] possa ser concluída a tempo de dar cumprimento ao memorando de entendimento”, afirmou hoje a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque.
Em declarações aos jornalistas, a governante disse que o Governo vai vai reavaliar a estratégia e lançar a privatização “logo que possível”.
Ainda assim, destacou, “a venda de uma companhia de aviação, nas atuais circunstâncias, é sempre um processo difícil”.
Por seu lado, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, realçou que neste momento importa criar “condições de estabilidade da tesouraria a curto e médio prazo”.
Ler Mais: http://blog.opovo.com.br/portugalsempassaporte/governo-de-portugal-nao-vai-vender-a-tap-a-efromovich-mas-mantem-intencao-de-privatizar/
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