O Governo Portugues acaba de anunciar que decidiu recusar a proposta
de compra do grupo Synergy para a TAP. A decisão foi tomada em Conselho
de Ministros, esta quinta-feira. O governo recuou pelo facto de Gérman
Efromovich, único candidato à compra da transportadora aérea nacional,
não ter apresentado as garantias bancárias exigidas.
Este processo de privatização acaba com a não aceitação da proposta
única da Synergy. O governo vai reavaliar a estratégia e o momento
oportuno para retomar a intenção de privatizar a TAP em condições e
calendário a definir, afirmou a secretária de Estado do Tesouro, Maria
Luis Albuquerque.
Em conferência da imprensa, Maria Luís Albuquerque explicou ainda que
em cima da mesa estava um encaixe líquido para o Estado de 35 milhões
de euros e a recapitalização da empresa superior a 300 milhões, em duas
fases, a que acrescia a assunção de um passivo na ordem dos 1,5 mil
milhões de euros.
“Temos que criar condições de sustentabilidade para que a empresa
possa ter o contributo que tem hoje e que no futuro seja ainda mais
positivo”, acrescentou o secretário de Estado dos Transportes.
O governo reafirmou a intenção do governo na privatização quando estiver redefinida a estratégia da empresa.
No entanto, Gérman Efromovich dá o negócio como “morto”, apurou o
Económico, até porque a decisão do Executivo deverá obrigar ao
lançamento de um novo concurso de privatização.
Recorde-se que, ainda esta semana, o empresário acreditava que ia ser
dono da TAP. Em entrevista dada à TVI, na quarta-feira, recusou-se
a dizer se tinha mantido negociações com o governo, nem quis adiantar
qual o último valor que ofereceu pela empresa, dizendo que seria o
Executivo português a prestar esse tipo de declarações. Mas salientou
que se o negócio não fosse fiável, não faria qualquer tipo de proposta.
O governo, através dos secretários de Estado do Tesouro e dos
Transportes, agradeceu ao investidor colombiano a dedicação à proposta
apresentada para a compra da TAP. “Manifestamos gratidão a Efromovich
pelo tempo que dedicou a uma proposta que tinha total alinhamento
estratégico com os objectivos do governo”, sublinhou o secretário de
Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, no final do Conselho de
Ministros.
É de referir que, este negócio tem ganho nos últimos dias maior
polémica, já que notícias avançam o envolvimento do ministro Miguel
Relvas nesta operação. Um facto negado pelo próprio Pedro Passos Coelho,
mas que levou o PS a pedir a suspensão desta privatização, considerando
que o dossier não era transparente.
Também esta semana, o Tribunal de Contas tinha defendido cautelas
redobradas nesta operação de forma a salvaguardar a soberania nacional.
Governo pretende reabrir processo de privatização até 2014
O Governo pretende relançar o processo de privatização da TAP até
2014 para cumprir o memorando de entendimento com a ‘troika’,
ressalvando que o processo vai “começar do zero” e que “as atuais
circunstâncias são difíceis”.
“Vamos fazer os possíveis para que a redefinição da estratégia [da
privatização] possa ser concluída a tempo de dar cumprimento ao
memorando de entendimento”, afirmou hoje a secretária de Estado do
Tesouro, Maria Luís Albuquerque.
Em declarações aos jornalistas, a governante disse que o Governo vai
vai reavaliar a estratégia e lançar a privatização “logo que possível”.
Ainda assim, destacou, “a venda de uma companhia de aviação, nas atuais circunstâncias, é sempre um processo difícil”.
Por seu lado, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio
Monteiro, realçou que neste momento importa criar “condições de
estabilidade da tesouraria a curto e médio prazo”.
Ler mais: http://blog.opovo.com.br/portugalsempassaporte/governo-de-portugal-nao-vai-vender-a-tap-a-efromovich-mas-mantem-intencao-de-privatizar/
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